Quem é
Troll é um termo amplo na tradição nórdica: nas Eddas designa criaturas hostis em geral, e no folclore posterior se fixa na figura do gigante rústico que mora em montanhas e florestas. São descritos como fortes, lentos de raciocínio, avessos ao contato humano e extremamente ligados ao território em que vivem.
A característica mais famosa aparece sobretudo no folclore escandinavo tardio: a luz do sol os transforma em pedra. Essa regra explica, na cultura popular, formações rochosas peculiares espalhadas pela Noruega e Suécia — seriam trolls surpreendidos pelo amanhecer. É também o motivo pelo qual eles agem à noite e habitam cavernas.
Aparência
Corpos grandes e desproporcionais, com narizes enormes, membros grossos e pele que lembra casca de árvore ou pedra. Alguns relatos dão a eles caudas, várias cabeças ou um único olho. No folclore norueguês, musgo e pequenas árvores crescem sobre suas costas, sinal de que ficam parados por muito tempo. Os trolls femininos, as trollkonor, aparecem em algumas histórias como mais astutas que os machos.
Habilidades atribuídas nas lendas
As capacidades abaixo são as descritas pelas fontes tradicionais e pelos relatos folclóricos — fazem parte das narrativas culturais sobre a criatura.
Força bruta
Arrancam árvores e arremessam pedras do tamanho de casas.
Resistência física
Ferimentos comuns pouco os afetam; é preciso engenho para vencê-los.
Conhecimento da montanha
Movem-se no escuro por túneis e encostas que nenhum humano percorreria.
Roubo e troca de crianças
Parte do folclore os acusa de substituir bebês humanos por filhos próprios, os chamados changelings.
Principais histórias
O troll que virou pedra
Um tema recorrente nas histórias escandinavas mostra um herói ou um camponês esperto entretendo o troll com conversa, adivinhas ou promessas até o amanhecer. Quando o primeiro raio de sol atinge a criatura, ela endurece e se torna parte da paisagem. Diversos rochedos na Noruega recebem nomes de trolls e carregam histórias locais que explicam exatamente como cada um foi enganado.
O sino da igreja
Outro conjunto de relatos associa o recuo dos trolls à chegada do cristianismo. O som dos sinos os incomodaria a ponto de forçá-los a migrar para montanhas cada vez mais distantes. Histórias norueguesas contam de trolls arremessando pedras contra igrejas recém-construídas — e muitos matacões isolados no campo são apontados como esses projéteis que erraram o alvo.
Significado simbólico
O troll representa o que está fora dos limites da comunidade: a montanha, a floresta, a noite, o desconhecido. Sua petrificação ao sol é uma metáfora eficiente da luz que dissolve o medo. No século XX, ilustradores como John Bauer e Theodor Kittelsen fixaram a imagem visual que hoje circula pelo mundo, e a palavra ganhou vida nova na internet para designar quem provoca conflito por diversão.
Curiosidades
- O parque Trollstigen e a formação Trolltunga, na Noruega, levam o nome dessas criaturas.
- John Bauer, ilustrador sueco, criou nos anos 1910 a imagem do troll peludo e narigudo que ficou famosa mundialmente.
- Nas Eddas, troll é usado às vezes como sinônimo de gigante ou de feiticeiro.
- O uso da palavra para provocadores online só se popularizou nos anos 1990 e não tem relação direta com o folclore.
Por que ocupa esta posição nos rankings
Pontua alto em fama por causa da presença massiva em literatura infantil, cinema e jogos, mas fica na média em poder: trolls são derrotados com frequência por camponeses espertos. O ponto forte é a ligação com a paisagem, que os torna um dos seres folclóricos mais tangíveis.
Todas as posições vêm das quatro notas exibidas ao lado. O cálculo está explicado na metodologia.
Fontes consultadas
- Snorri Sturluson, Edda em Prosa
- Asbjørnsen e Moe, Contos Populares Noruegueses
- Saga de Grettir
Lista completa de referências do catálogo na página de fontes.